sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ABERTURA DO IV ALDEIA SESC


Começa hoje o IV ALDEIA SESC - Povos da floresta, com cortejo de abertura saindo do Parque do Forte às 17h. Todos os artistas classificados no projeto estão convidados. NAVEGANDO NA VANGUARDA, claro, vai estar presente, até porque tem o show-manifesto TROPICÁLIA NA LINHA DO EQUADOR, a ser realizado dia 27, no SESC Centro. Vamos falar de todos eles aqui, mas, especificamente sobre o show-manifesto da Tropicália, começamos a falar dele, pra valer, a partir desta segunda-feira (24).

COISAS DE TROPICÁLIA NA BEIRA-RIO


“PARANGOLATAS” VIRA CASO DE POLÍCIA
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O ator prenambucano Edson Barrus esteve em Macapá, participando do evento de arte rEs’quiNÓSCio. Com performance inspirada na arte tropicalista de Hélio Oiticica, provocou, logo na chegada, o maior sururu nos quiosques da Beira-Rio, numa noite pré-carnavalesca de fevereiro.
Trajando um “parangolatas” – paramento feito de latinhas de cerveja, baseado nos “parangolés” do artista revolucionário tropicalista -, Barrus percorreu o calçadão da Beira-Rio correndo, e chamando a atenção de curiosos. Como os inusitados parangolés quando foram lançados em 1968, no auge da ditadura, os “parangolatas” também viraram caso de polícia.
Uma senhora concessionária de um dos quiosques, vendo no artista um ser de outro planeta, acionou a PM. Os policiais chegaram armados, inclusive com coletes à prova de balas. Edson Barrus, impávido e sereno de dentro de seu smoking de latas de alumínio, mirava os repressores com o seu olhar cínico. Mas antes que os PMs radicalizassem, o professor e artista fotográfico Artur Leandro, que também incorpora o movimento, protestou: “A polícia vem pra prender o artista, enquanto o bandido corre solto!”.
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Nota publicada no PONTO G da revista Vanguarda – edição 07 – março/2004.
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O show-manifesto TROPICÁLIA NA LINHA DO EQUADORcom Aroldo Pedrosa e a banda Vanguarda – vai acontecer quinta-feira, 27, no SESC Centro. Venha!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

GILBERTO GIL VICE-PRESIDENTE DO BRASIL!


GIL DIZ QUE PODE SER VICE NA CHAPA DE MARINA EM 2010
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O cantor e compositor Gilberto Gil disse anteontem no Rio, que, se convidado, pode aceitar ser vice na eventual candidatura de Marina Silva (PT-AC) à Presidência pelo PV.
"Uai! Claro que existe possibilidade de dizer sim. Existe possibilidade de dizer não, existe possibilidade de tudo. Mas só quero dizer a ela, se ela me convidar", disse o ex-ministro da Cultura, durante aula magna aos alunos da Universidade Estácio de Sá, no Rio.
Segundo ele, os dois conversaram por telefone sobre a candidatura da senadora há cerca de uma semana. "Ela quer conversar comigo. Quer falar sobre candidatura, sobre o partido, sobre o PV, a transferência dela para o PV, sobre ela ser candidata propriamente", disse.
E completou: "Convite dela não houve. Se houver um convite, prefiro dizer a ela se eu quero ou não". Eles devem se encontrar pessoalmente, segundo o músico, que disse ainda ter "muita vontade" de conversar com ela sobre a disputa.
Para o músico, Marina é "uma pessoa muito importante para toda essa coisa da renovação da vida política brasileira". E completou: "Traz uma postura muito contributiva para o desenvolvimento da vida política no Brasil. Se ela se candidatar, vai ser muito interessante".
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Reportagem extraída do blog do Noblat

terça-feira, 18 de agosto de 2009

ALDEIA SESC AMAPÁ

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A partir desta sexta-feira, 21 de agosto, indo até o dia 28, todas as tribos do meio do mundo vão se encontrar no IV ALDEIA SESC - Povos da Floresta. E o NAVEGANDO NA VANGUARDA vai estar presente com a nossa trupe no show-manifesto Tropicália na Linha do Equador. Portanto, prepare-se!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O KARAOKÊ SINTONIA DE DOMINGO

O gaúcho Carlos e a amapaense Bianca Castro em boa sintonia com a MPB

O pequeno Amon com o pai-músico Guido e o amiguinho Glauber Caetano
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Sérgio Sales e Aroldo Pedrosa mandando "Você é linda", de Caetano Veloso
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A atriz Rosa Rente e o nosso menino bonito - de peixinho - Glauber Caetano
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Carlos se rendendo à boa rede preguiçosa amazônica
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Tell, Pedrosa, Poena e Lulih num papo-cultural
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Os compositores/cantores Sérgio Sales e Nonato Santos mandando "Gata Arisca"
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O prato da feijoada respeitada de Dona Luzia (a mãezona ao fundo)
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O casal rubronegro e apaixonado por MPB Evandro Santos e Cléia
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O anfitrião Tell e Pedrosa em "Samba da Bênção", de Vinicius e Baden

SINTONIA E FEIJOADA NO ESPAÇO ABERTO

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Aos poucos o projeto Sintonia, do compositor/cantor Christian Tell, vai conquistando adeptos. É o que vem acontecendo aos domingos no ESPAÇO ABERTO - avenida Tupis esquina com a Jovino Dinoá, próximo ao SESC Araxá. Nos dois últimos domingos, Christian Tell reuniu ali gente da cultura e da comunicação numa apetitosa feijoada - e respeite o prato! - produzida pelas mãos caprichosas de Dona Luzia - a mãezona do projeto Sintonia.
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No último domingo, principalmente, a feijoada, pelo precinho camarada de R$ 5,00, foi servida regada de muita música popular brasileira - é o Karaokê do Sintonia. Ou seja, um banquinho, um violão... e quem tiver talento musical - não precisa necessariamente ser artista profissional - é chegar na maior descontração e fazer o show, com a regência do anfitrião Tell.
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Acompanhe a seguir o registro fotográfico da ótima última tarde ensolarada de domingo no ESPAÇO ABERTO.
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Na foto acima, em destaque, a canja da jornalista e apresentadora Bianca Castro.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

XÔ, SATANÁS!


PERTO DEMAIS DE DEUS
Chico César
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Tem gente perto demais de Deus
Tem gente que não deixa Deus sozinho
E diz Deus ilumine seu caminho
E guarda Deus na cristaleira
Cristo perto dos cristais
Cristo assim perto demais
Cristo já é um de nós
Carne e osso pão e vinho
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Tem gente que não deixa Deus em paz
Tem gente incapaz de viver sem Deus
E o trata como um funcionário seu
Deus me livre, Deus me guarde, Deus me faça a feira
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Cristo dentro da carteira
Dez por cento rei dos reis
Cristo um conto de réis
O garçom não a videira
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Essa gente é o diabo e faz da vida de Deus um inferno
Essa gente é o diabo e faz da vida de Deus um inferno
Essa gente é o diabo e faz da vida de Deus um inferno
Essa gente é o diabo e faz da vida de Deus um inferno
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Esta obra-prima do compositor paraibano Chico César, vai estar no repertório do show TROPICÁLIA NA LINHA DO EQUADOR que se realizará no próximo dia 27 (quinta-feira), no SESC Centro.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

TIGRESAS PORTUGUESAS COM CERTEZA


Elas são portuguesas e foram fotografadas no coração de nossa floresta pelo Jorge Vismara - fotógrafo baiano radicado em Los Angeles (Estados Unidos). Vismara veio ao Amapá através do projeto Navegar Amazônia, que já não existe mais por entre a gente (o projeto). Elas, acadêmicas de uma Faculdade particular de Lisboa, vieram num intercâmbio da instituição de ensino de lá com a Universidade Federal do Amapá (Unifap) daqui, e ao conhecerem o Navegar Amazônia se deslumbraram... embarcando com mais oito outras colegas - e também muito lindas - portuguesas, numa expedição à Serraria Pequeno – localidade pertencente ao município paraense de Afuá. Eu fazia parte do Navegar Amazônia, era agente cultural e assessor de imprensa do projeto. A loirinha aí do biquinho bonito – Mariana, a gracinha! –, quando foi à Portugal passar o Natal com a família, me trouxe um livro espetacular da poeta Florbella Espanca que me emocionou muitíssimo! Presenteou-me o livro e nunca mais nos falamos, porque ela, logo em seguida, foi embora. Mas é presença viva em minha memória a viagem em meio há tantas mulheres encantadoras e cultas. Elas conheciam a literatura brasileira e, sobretudo, a nossa música popular. Durante a viagem cantei muito pra elas, do Caetano, Os Argonautas: Navegar é preciso/ Viver não é preciso... E, principalmente, o verso palpitante vampiresco “do meu dente em tua veia”. Escrevi muito sobre elas, sobre a troca de conhecimentos e as descobertas pelas linhas e curvas dos rios da Amazônia. Os textos, sempre cheio de graça, foram todos postados no site do projeto na coluna denominada Diário de Bordo, que, pelo que me parece, foi deletado de lá depois que transferiram “o barco da poesia concretizada” para São Paulo. O Navegar Amazônia hoje navega pelo rio Tietê. Deveria mudar de nome. Mas, voltando as tigresas lusitanas...
O sotaque delas soltando despretensiosamente palavras típicas do vocabulário do meio do mundo ao vento me soam cada vez mais saudosista. Ouvindo Menina da Ria no novo disco do Caetano e revendo a fotografia do Vismara com as felinas portuguesas e os passarinhos amazônicos, nossa... dá vontade até de esquecer os escândalos do Sarney pra sempre e deixar que me tenham (tô nem aí...) como o mais novo e entusiasmante bunda-mole dos trópicos!

CONFRARIA TUCUJU É CULTURA

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Com a notícia da volta dos projetos culturais da Confraria Tucuju ao Largo dos Inocentes, não dá pra ficar sem mencionar que a instituição mereceu, durante todo o segundo semestre do ano de 2008, aplausos de público e crítica pelos caprichosos e envolventes eventos realizados ali onde começou a nossa querida Macapá. A Confraria Tucuju tem à frente de sua diretoria a competentíssima doutora Telma Duarte – amapaense da gema – que sempre soube realizar grandes projetos e honrar o nome da instituição cuja graça adjetivada homenageia nossos ancestrais. Em 27 de novembro de 2008, pelos inestimáveis serviços prestados à coletividade e, sobretudo, a cultura amapaense, a Confraria Tucuju foi contemplada com o nosso troféu Vanguarda. A entrega da premiação aconteceu no Réveillon do Bar do Abreu e com a presença do compositor/cantor e escritor carioca Jorge Mautner. O produtor cultural Zezinho – irmão da diretora e membro da instituição – foi quem a representou. A Confraria Tucuju e mais nove instituições, que também se destacaram com projetos culturais em 2008, foram reconhecidas e homenageadas com o nosso troféu. E a prova de que soubemos escolher os vencedores está exatamente na Confraria Tucuju ter suas contas do ano passado aprovadas recentemente, por isso, naturalmente, está de volta com os seus projetos que têm objetivo de promover a cultura local e alegrar as famílias que vão se reunir de novo, a partir desta sexta-feira (14), no Largo dos Inocentes. Daqui o nosso axé e abraço afetuoso à doutora Telma e a todos da Confraria Tucuju, garantindo, desde já, que vamos estar sempre presentes, no Largo, para apoiar e divulgar os projetos culturais.

CONCERTOS DE VERÃO DE VOLTA AO LARGO


Márcia Corrêa
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A Confraria Tucuju traz de volta sua programação de música instrumental com o primeiro Concerto de Verão de 2009. O projeto reestréia em grande estilo na próxima sexta-feira (14), às 20 horas no Largo dos Inocentes, com apresentação do pianista amapaense radicado no Ceará, Aimoré Batista. Os concertos instrumentais da Confraria Tucuju marcaram o verão de 2008 com apresentações ao ar livre, trazendo ao público o talento dos músicos do Amapá.
“Nossa intenção é proporcionar aos artistas espaço para divulgarem seus trabalhos e ao público a oportunidade de conhecer a música instrumental executada no Amapá. Para isso fazemos um trabalho de formação de platéia, disponibilizando para as pessoas que se encantam com as apresentações, informações sobre as músicas, os instrumentos, os compositores e os artistas”, explica a presidente da Confraria, Telma Duarte.
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Aimoré Batista (Aimorezinho)
É músico pianista, violonista, escaletista e acordeonista, além de compositor, arranjador e produtor musical. Nasceu em Macapá no ano de 1947 e iniciou seus estudos musicais aos 8 anos no Conservatório Amapaense de Música. Optando pela música popular, tornou-se aluno do Mestre Oscar Santos, com quem estudou acordeom pelo método Mário Mascarenhas. A partir dos 10 anos já se apresentava em shows, dividindo palco com artistas conhecidos da época como Pedro Celestino – irmão de Vicente Celestino –, Ari Lobo, Zé Trindade entre outros.
Integrou grupos musicais em Macapá como Os Magos do Ritmo, Os Mocambos e Regional da Rádio Difusora de Macapá. Nesse período tocou com Amilar Brenha, Nonato Leal, Hernani Vítor e Sebastião Mont’Alverne. Aos 13 anos mudou-se para Belém onde integrou o conjunto musical Os Mocorongos, em parceria com o violonista Sebastião Tapajós e, posteriormente, integrou por longo período o Conjunto Sayonara.
Conhecido no meio musical como Aimorezinho, aos 17 anos o músico voltou para Macapá onde passou a integrar o conjunto Os Cometas. Três anos depois, aos 20 de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro e foi viver o fervilhar da noite carioca no auge da Bossa Nova. Tocando nos bares mais famosos conviveu com artistas consagrados como Wilson Simonal, Waleska e Miltinho. A partir de 1983 passou a residir em Fortaleza/CE, onde vive até hoje.
O artista tem dois CDs na sua discografia: Aimoré, Piano ao Vivo, gravado no Café Aymoré, em Macapá, idealizado e produzido pelo radialista Edvar Mota em 2003 e É Natal, produção independente de músicas natalinas de autoria própria e de domínio público, lançado em 2008. Mais quatro trabalhos estão em fase de elaboração, um CD com músicas infantis, um dedicado aos nubentes, um terceiro voltado para clientes de restaurantes, hotéis, agências de viagem e empresas, e ainda o CD É Natal versão 2009.
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Serviço
Concertos de Verão 2009
Com o pianista Aimoré Batista
Dia 14 de agosto (sexta-feira)
Às 20 horas
No Largo dos Inocentes
Realização: Confraria Tucuju

OLHA O ESPELHO CRISTALINO...


...QUE A HELOISA ME MANDOU DE MACEIÓ!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ARTIGOS EXTRAORDINÁRIOS


SARNEY E EU
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Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões. Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice.
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Adelécio Freitas (um BMB legítimo)
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Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frente do Congresso Nacional pedindo "Fora Sarney", na hora fiquei bastante animado, encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira.
No dia da manifestação me bateu uma preguiça... após um longo dia de trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta?
No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuais e bastante divulgada pelo twitter. Para a minha surpresa não existia nenhuma manchete, nem ao menos uma nota de rodapé. Resolvi entrar em uma das comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do Congresso.
Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000? Que povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram?!....
Não demorou muito para a ficha cair. Eles não foram pelo mesmo motivo que eu não fui. Esperava que "alguém" iria no meu lugar.
Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu apartamento, que refletia a minha imagem. Fiquei olhando para mim e para a minha confortável inércia. Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel na sociedade.
"Que bunda-mole!".
Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense (ou BMB).
Existem bunda-moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de dizer que sou um bunda-mole federal! Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: "De Brasília né.... já tem conta na Suíça?". Eu ficava indignado, falando que eu era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá. Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem.
Eu acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade, tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para a incrível experiência de assarmos como batatas na areia... Mais BMB impossível!
Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público (o difícil é disfarçar aquela pontinha de admiração pelo "ixperto"). Depois traçamos os planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!
Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento, precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas, vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney! Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo, nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB's? O que seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos secretos sem a nossa apática presença?
Imaginem se no nosso lugar estivessem aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de segurança da OMC para protestarem contra a globalização.
O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso entorno.
Bunda-moles: Vamos exigir os nossos direitos! Precisamos finalmente mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto dos patrocínios oficiais.
Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer.
Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais valiosos).
A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas.
O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que nos trás para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu profundo, a nossa essência.
Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões. Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice.
Bunda-moles de todo o país uni-vos!
Vamos celebrar a nossa mediocridade, vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney! Viva Collor! Viva Maluf! Viva Roriz! Viva Gim Argello! Viva Renan Calheiros! Viva Romero Jucá! Viva o FHC! Viva Lula! Viva a República das bananas do Brasil!
Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona porque o Jornal Nacional já vai começar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

GRANDES ENTREVISTAS: FERNANDA TAKAI


FERNANDA TAKAI: "EU NASCI NA SERRA DO NAVIO"

Aroldo Pedrosa

A vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai é amapaense e isso ninguém tasca! Embora vivendo na Belo Horizonte do Clube da Esquina há aproximadamente três décadas, quando lhe perguntam do seu lugar de origem, tem sempre a verdade absoluta na ponta da língua: “Eu nasci na Serra do Navio”. Casada com o músico, compositor e arranjador da banda, John Ulhoa, com quem tem a doce e pequena Nina, hoje, depois de alcançar os primeiros 15 anos de estrada e fama com o Pato Fu, a estrela do pop rock vive uma experiência nova na carreira ao gravar o trabalho solo Onde Brilhem Os Olhos Seus, com um repertório de canções fantásticas que ficaram marcadas para sempre na voz de Nara Leão. Foi o produtor Nelson Motta – ele faz a apresentação do disco – quem viu em Takai semelhanças surpreendentemente plausíveis com a musa da Bossa Nova. E sem saber sequer que as canções de Nara embalaram o sonho de Takai criança, quando ela ainda, entre duendes e fadas, morava na floresta.
Navegando pela internet num desses fins de semana prolongado, descobri Fernanda Takai na cidade paulista de Araraquara. Por e-mail, ela me contou um pouquinho de sua bela e envolvente história.

Vanguarda: Vamos começar pela história dos teus pais, que vieram trabalhar no Amapá por algum tempo.
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Fernanda Takai: O meu pai – já falecido – era geólogo, de São Paulo, e a minha mãe, enfermeira, alagoana de Maceió. O meu pai trabalhava com pesquisas iniciais de minério. Ao concluir as pesquisas, mudava-se sempre, por isso não ficamos por muito tempo no Amapá. Quando saímos da Serra do Navio, fomos pra Bahia e depois Minas Gerais.
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Vanguarda: Uma coisa curiosa que observamos daqui é essa atitude super-bacana de assumires ter nascido na Serra do Navio – embora tenhas saído de lá com dois anos apenas. Na revista BRAVO!, por exemplo, está escrito: “A amapaense Fernanda Takai”. Que espécie de sentimento é esse que – Por mais distante/ O errante navegante... – te remete lindamente ao teu estado de origem?
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Fernanda Takai: Eu tenho uma memória fotográfica muito forte da Serra do Navio. Meu pai costumava passar slides todos os fins de semana em casa e sempre havia muita coisa da Serra. Percebi que foi uma época muito feliz pros meus pais. Eles foram recém-formados pra trabalhar numa grande companhia mineradora, sem os parentes por perto. Fizeram boas amizades no Amapá e aí formaram essa nossa família. Talvez eu também me achasse uma estrangeira em todos os lugares que morei depois da Serra do Navio e fizesse questão de dizer como escrevi numa canção: "Olha, não sou daqui...". Hoje sou uma mineira honorária, gosto muito do Estado e represento a cena cultural de lá, mas quando me perguntam onde nasci, conto simplesmente a verdade.
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Vanguarda: E a relação com a música, Fernanda, começa a partir de quando?
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Fernanda Takai: O comecinho mesmo foi com o que os meus pais escutavam. Na época, eu me lembro, eles ouviam muito Nara Leão, Clara Nunes... E isso, claro, ajudou a amadurecer os meus ouvidos. Se os pais ouvem coisas boas, é natural que se tenha uma boa formação.
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Vanguarda: Quando o Pato Fu surgiu fizeram muitas comparações com Os Mutantes. A banda tropicalista exerceu influência sobre o trabalho de vocês no início da carreira?
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Fernanda Takai: Influência direta, não. Creio que tivemos algo meio parecido no final. Os Mutantes tinham essa coisa de fazer músicas muito diferentes, dentro de um mesmo disco, e de cantar em outras línguas. E isso é uma coisa que temos até hoje, de fazer músicas variadas em um disco só. Mas a nossa maior influência veio das bandas brasileiras e estrangeiras dos anos oitenta. Agora, ao sermos comparados a uma banda tão boa quanto Os Mutantes naquele início, pra nós foi um grande elogio. O que tentamos evitar, no entanto, era que os fãs dos Mutantes confundissem isso, de achar que gostaríamos de ser os novos Os Mutantes. Nunca tivemos essa pretensão. E, por uma virada do destino, hoje somos muito amigos do Arnaldo [Batista] e da Rita [Lee]. Eles gostam do nosso trabalho e reconhecem a identidade do Pato Fu no que fazemos.
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Vanguarda: Já estiveste – e eu estava no meio da multidão – com o Pato Fu se apresentando para o público amapaense, tendo como cenário as muralhas da Fortaleza de São José de Macapá. Como foi a experiência de cantar e se encontrar, depois de mais de trinta anos, no lugar onde de fato nasceste?
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Fernanda Takai: Foi emocionante porque o público e a organização do evento pareciam muito felizes em me ter ali. Eu também me senti realizada em poder voltar ao estado onde nasci de uma forma tão prestigiosa e num lugar tão lindo. Quero voltar mais vezes. E quero ir a Serra do Navio, de preferência com a minha mãe pra me contar mais histórias de lá.
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Vanguarda: “Onde Brilhem Os Olhos Seus”, permita-me: é uma delicada obra-prima contemporânea da canção brasileira! Cantar Nara Leão até então ninguém tinha ousado, e a tua interpretação em canções emblemáticas como “Diz que fui por aí”, “Odeon”, “Insensatez”, “Com açúcar, com afeto”, “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” e, sobretudo, “Lindonéia” – dos tropicalistas Caetano e Gil – é manifesto puro e inconteste de que o novo rigorosamente nem sempre precisa ser inédito. A propósito, além dos olhos teus e do eterno mutante Nelson Motta, de onde mais vieram esses raios?
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Fernanda Takai: Sem dúvida o trabalho de arranjos do John [Ulhoa] e do Lulu [Camargo] são primorosos. Eles construíram com muita elegância e bom gosto essa base musical para que eu pudesse ter espaço pra cantar e interpretar do meu jeito, um repertório tão conhecido. Nós três gravamos o álbum todo sozinhos. Não havia nem assistente de estúdio. John gravou e mixou tudo. Eu gravei todas as vozes e Lulu e John tocaram todos os instrumentos. Acho que encontramos uma forma muito leve de trabalhar. Isso tudo aconteceu nos intervalos das gravações do disco "Daqui Pro Futuro", do Pato Fu. Acho que “despretensão” é a palavra que mais acompanhou todo esse processo.
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Vanguarda: A Bossa Nova está completando 50 anos e a Tropicália 40 – em julho faz aniversário o disco-manifesto, onde Nara Leão gravou “Lindonéia”. “Onde Brilhem Os Olhos Seus” é homenagem também aos dois movimentos?
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Fernanda Takai: Quando a gente começou a fazer o disco, em dezembro de 2006, não tinha essa lembrança dos 50 anos da Bossa Nova e muito menos dos 40 anos da Tropicália. Foi uma grande coincidência. Talvez se tudo tivesse sido tão planejado assim, não teria a mesma fluidez. Digo que esse disco encontrou muitas portas abertas porque a gente o fez pela música, por Nara e pela possibilidade que havia do público me conhecer mais como intérprete, mesmo depois de 15 anos de carreira.
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Vanguarda:
Gilberto Gil esteve recentemente em Macapá como ministro da Cultura. Eu queria a tua opinião sobre o desempenho de Gil no Ministério da Cultura.
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Fernanda Takai: Sou muito fã do Gil, acho que ele é uma pessoa de caráter, extremamente talentoso e um homem de bem. Talvez seja ainda mais fã do artista do que do ministro, mas isso não diminui em nada a admiração que tenho por ele. Ocupar um cargo dessa magnitude por tanto tempo não é fácil. Há momentos em que algumas decisões são tomadas a favor de uma suposta coletividade que a gente não entende muito bem e nem sempre concorda com os processos. Mas eu fiquei feliz em ter alguém como ele representando a nossa cultura.
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Vanguarda: Nós temos um projeto, A Caravana da Vanguarda no Planeta Amapari, pra te trazer ao Amapá em breve, e, numa viagem de trem, entre curumins com a bunda exposta na janela, te levar até a Serra. E depois de chegar lá, com o auxílio de um bom guia Waiãpi, te apresentar o lugar belo e preciso onde nasceu uma estrela. Esse lugar tem ao redor a densa floresta serrana onde habita o Brilho de Fogo – o raríssimo beija-flor (descoberto pelo cientista-ambientalista Augusto Ruschi) que iluminou, no desfile da campeoníssima Beija-Flor de Nilópolis, o Sambódromo. O que me dizes, baby, dessa idéia? Topas?!
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Fernanda Takai: A idéia é ótima. Posso levar a minha mãe? E a minha filha Nina de 4 anos? Resta achar um intervalo na minha agenda este ano, que tem duas turnês em andamento, mais divulgação de livro, gravação de DVD, viagens a Portugal e Japão... Vamos tentar!
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Vanguarda: A nossa revista está de aniversário – são cinco anos. Tim-tim!
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Fernanda Takai: Kampai! Que venham muitos anos mais!

FERNANDA TAKAI NO “ALTAS HORAS”


Fernanda Takai esteve no programa Alta Horas de sábado (8) lançando novo CD e DVD solos, gravados ao vivo com as canções do disco sobre a Nara – Onde brilhem os olhos seus – e bônus de outros, como uma canção gravada pelo rei Roberto Carlos no tempo da Jovem Guarda. Com o trabalho solo anterior, Takai ganhou até disco de ouro – grande façanha para uma artista de música popular nesses novos tempos onde hoje qualquer canção pode ser baixada gratuitamente pela internet.
Com a volta de Fernanda Takai à mídia, é oportuno ler a entrevista que fiz com ela publicada na edição 12 de Vanguarda. O que ela disse no Alta Horas é verdade – Fernanda responde sim aos emails dos fãs, porque respondeu ao nosso. A seguir a entrevista com a simpática conterrânea e talentosa Fernanda Takai.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O MEU ENCONTRO COM CAETANO EM RECIFE

O Universo conspirou a favor, porque as coisas foram acontecendo naturalmente, em circunstâncias onde a música foi o principal pivô

Aroldo Pedrosa

Eu havia escrito letra sobre um patrimônio da cultura brasileira nordestina: Lia de Itamaracá – a compositora/cantora de cirandas que embalaram meus sonhos de juventude e inspiraram o nome de minha filha Ciranda, que, quando criança, dançava na floresta com leveza de fada. Esta ciranda quem me deu foi Lia/ Que mora na ilha de Itamaracá... Os sonhos, embalados especialmente por esses versos, eram como disse “de juventude” – Menino Deus/ Quando a flor do teu sexo/ Abrir as pétalas para o Universo... –, porque me levavam espetacularmente à ilha afrodisíaca de Lia. E a letra, já em pleno século 21, me veio assim nas asas dessas lembranças.
Muito depois, em 8 de junho de 2003, conheci a musa ao vir cantar no Amapá pelo projeto Sonora Brasil. Nos encontramos e contei a ela o que agora escrevo aos leitores de Vanguarda.
Mas, voltando a conspiração do Universo divino...
O músico e parceiro Matheus Farias pegou a letra de Lia e musicou. Fez um jazz sofisticadíssimo, e o Israel Cardoso – outro bom músico amapaense – criou o arranjo. Imediatamente inscrevi a canção no Festival de Música de Garanhuns, classificando-a. E fomos os três a cidade pernambucana onde nasceu o sanfoneiro Dominguinhos e o presidente Luís Inácio Lula da Silva.
O resultado do festival – pelo menos pra nossa música – não foi grande coisa. Em compensação a volta por Recife...
Caetano estava em turnê pelo Brasil com o show e se apresentando em Recife, justamente na noite de minha passagem por lá. Matheus e Israel, desinteressados, preferiram o retorno a Macapá.
Era 1º de maio de 2007.
Com pouca grana e pra não correr o risco de perder o show, hospedei-me estrategicamente numa pousada em frente ao Teatro Guararapes, quando, minutos antes do show, desabou sobre a cidade tremendo temporal. Fui socorrido por um transeunte que passava com um enorme guarda-chuva colorido me levando até a porta do teatro. Graças ao anjo alado, com asas de guarda-chuva, pude chegar no horário e ver Caetano cantar para uma platéia delirante “Não me arrependo”, “Minhas lágrimas”, “ Musa híbrida”, “Um sonho”, “O herói”, “Homem”, “Rocks”, “Odeio” – as canções minimalistas que estão no CD que deu nome ao show. Um Caetano grisalho mas mais menino do que nunca, meio roqueiro, acompanhado pelos jovens músicos Pedro Sá (guitarra), Marcelo Callado (bateria) e Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados). De calça jeans, tênis, camisa pólo e jaqueta índigo blues desbotada, o doce bárbaro baiano sacudia o Guararapes, correndo de um lado a outro do palco, cantando o frevo “Chão da praça”, de Moraes Moreira e Fausto Nilo. Sambas, também, solados, no lugar do cavaquinho, pela guitarra elétrica de Pedro Sá. Canções do Transa – o ótimo disco do exílio londrino – que os meninos da banda são fãs e tão bem entrelaçadas com as composições da nova fase do artista. “Nine out of ten”, que tem na letra o verso “Caminhando pela rua Portobello ao som do reggae” – reduto e berço, em Londres 70, do ritmo jamaicano que veio a se espalhar pelo mundo –, Caetano dedicava aos músicos do disco Transa – Jards Macalé, Tutti Moreno, Áureo de Souza e à memória de Moacyr Albuquerque. Em seguida cantava “Um tom”, do disco Livro, feita em homenagem ao filho caçula Tom, nascido na mesma data do maestro soberano Antonio Carlos Jobim. A canção era dedicada a outro grande maestro: Jacques Morelenbaum. No palco, Caetano, homem cordial, mais que artista e humano, com inveja apenas da longevidade e dos orgasmos múltiplos.
De repente num banquinho mandou ver o clássico “A voz do violão” (Francisco Alves/ Horácio Campos) em resposta a alguém que escrevera para o blog do jornalista Jorge Bastos Moreno, comentando entrevista polêmica do compositor publicada ali: “Vocês todos tem razão, ninguém agüenta mais ouvir Caetano Veloso falando sobre tudo. Mas o pior é ter que agüentar ele tocando violão”. A citação, em ipsis litteris, arrancou aplausos e risos da platéia.
E o show terminou com Caetano cantando a saudosista “Descobri que sou um anjo”, de Jorge Ben. As palavras meio que faladas no timbre super-bacana do cantor:

Não, comigo não
Comigo nunca mais
Mantenha a distância quando eu voltar
Pois na minha ida
O meu caminho era todo de pedras e espinhos
Mas na minha volta
Ele vai ser todo de estrelas e rosas...

Enfim, duas horas de música popular brasileira contemporânea da melhor qualidade. Um show e tanto!
Terminado o espetáculo, procurei o caminho que me levasse ao camarim do teatro. Havia muitas pessoas ávidas por uma palavrinha ou uma fotografia ao lado do ídolo. Vi quarentões, cinqüentões, sessentões e adolescentes se derramando nos braços do amado e idolatrado artista. Esperei por todo mundo e, quando não havia mais ninguém, me aproximei e cumprimentei Caetano. Falei de Macapá, do Navegar Amazônia e da revista Vanguarda que estava de aniversário naquela noite. Levei comigo as três últimas edições, com as quais presenteei Caetano. Ele ficou impressionado com a imagem da Maracatu da Favela na capa da edição nº 11 e disse saber do Navegar Amazônia pelo Jorge Mautner. Falei que fui agente cultural do projeto e que na expedição de Abaetetuba estivera com Mautner. Revelei ainda o sonho de entrevistá-lo para a revista, perguntando-lhe se seria possível. Caetano disse que sim. Apresentou-me o produtor Franklin que, imediatamente, me passou telefone e e-mail para contato. Agradecido pela atenção, deixei o camarim numa felicidade de quem marcou o gol mais lindo do mundo em partida final de campeonato.
Foi assim o meu encontro, em Recife, com esse homem cordial e genial chamado Caetano Veloso.
Acreditava que o ciclo havia se encerrado ali, que o movimento aliado dos astros tinha cumprido o seu ofício. Que nada! A viagem de volta me trouxe no mesmo vôo em que viajava o músico Pedro Sá – Caetano tinha show em Belém no dia seguinte...

Esta crônica é também em homenagem ao pequeno João Pedro - filho de minha filha querida Ciranda - que faz três aninhos hoje. Beijos no nosso Leãozinho!

LETRA DE MÚSICA


SUPER-HOMEM - A CANÇÃO
Gilberto Gil

Um dia
Vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter

Que nada
Minha porção mulher, que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É a que me faz viver

Quem dera
Pudesse todo homem compreender, oh, mãe, quem dera
Ser o verão o apogeu da primavera
E só por ela ser

Quem sabe
O Super-Homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher

Em tempo: A canção, também gravada por Caetano, estará no repertório do show acústico A MPB na Ponta dos Dedos e Língua, que farei brevemente em Macapá.

GIL SOBRE “SUPER-HOMEM – A CANÇÃO”


"Eu estava de passagem pelo Rio, indo para os Estados Unidos fazer a excursão do lançamento do Nightingale - um disco gravado lá, com produção do Sérgio Mendes -, em março e abril de 1979, e gravar o disco Realce, ao final da excursão. Na ocasião eu estava morando na Bahia e não tinha casa no Rio, por isso estava hospedado na casa do Caetano. Como eu tinha que viajar logo cedo, na véspera da viagem eu me recolhi num quarto por volta de uma hora da manhã. De repente eu ouvi uma zuada: era Caetano chegando da rua, falando muito, entusiasmado. Tinha assistido ao filme Super-Homem. Falava na sala com as pessoas, entre elas a Dedé [Dedé Gadelha, mulher de Caetano à época]; eu fiquei curioso e me juntei ao grupo. Caetano estava empolgado com aquele momento lindo do filme, em que a namorada do Super-Homem morre no acidente de trem e ele volta o movimento de rotação da Terra para poder voltar o tempo para salvar a namorada. Com aquela capacidade extraordinária do Caetano de narrar um filme com todos os detalhes, você vê melhor o filme ouvindo a narrativa dele do que vendo o filme... Então eu vi o filme. Conversa vai, conversa vem, fomos dormir. Mas eu não dormi. Estava impregnado da imagem do Super-Homem fazendo a Terra voltar por causa da mulher. Com essa idéia fixa na cabeça, levantei, acendi a luz, peguei o violão, o caderno, e comecei. Uma hora depois a canção estava lá, completa. No dia seguinte a mostrei ao Caetano; ele ficou contente: 'Que linda!' E eu viajei para os Estados Unidos. Fiz a excursão toda e, só quando cheguei a Los Angeles, um mês e tanto depois, para gravar o disco, foi que eu vi o filme. Durante a gravação, uma amiga americana, Olenka Wallac, que morava em Los Angeles na ocasião, me levou para ver.
A canção foi feita portanto com base na narrativa do Caetano. Como era Super-Homem - o filme, ficou Super-Homem - a canção; não tinha certeza se ia manter esse título ao publicá-la, mas mantive.

A porção mulher
Muita gente confundia essa música como apologia ao homossexualismo, e ela é o contrário. O que ela tem, de certa forma, é sem dúvida uma insinuação de androginia, um tema que me interessava muito na ocasião - me interessava revelar esse embricamento entre homem e mulher, o feminino como complementação do masculino e vice-versa, masculino e feminino como duas qualidades essenciais ao ser humano. Eu tinha feito “Pai e Mãe” antes, já abordara a questão, mais explicitamente da posição de ver o filho como o resultado do pai e da mãe. Em Super-Homem - a canção, a idéia central é de que pai é mãe, ou seja, todo homem é mulher (e toda mulher é homem)."

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

2000 ACESSOS: VIVA O MANO!


Amanhã o autor do livro Verdade Tropical faz 67 anos. Vamos dar um viva ao compositor de Podres Poderes e outros poemas e tantos... Vamos, baby, dar um viva ao mano Caetano! São 67 anos de uma mente brilhante de idéias fenomenais e ofuscantes. Chega de mentiras e outros tantos desenganos! Amanhã eu volto pra falar da antítese desses males... Pra falar do Sol nas bancas de revista, que me enche de Alegria, Alegria e preguiça, quem lê tanta notícia... Então tá combinado, amanhã eu volto pra falar somente desse homem cordial e genial chamado Caetano Veloso!

Por que não?
Por que não?

eu vou...

MENTIROSO POR EXCELÊNCIA!

O padrinho de casamento de Rodrigo Cruz e Mayanna

VEJA E AGÊNCIA ESTADO

Duramente criticado por parlamentares da oposição, o discurso de defesa de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, na tarde de quarta-feira, no plenário da Casa, incluiu diversos pontos polêmicos e até uma acusação grave contra a Polícia Federal. Em sua tentativa de rebater a longa lista de denúncias que pesam contra ele, Sarney apelou para o currículo e disse que tem argumentos e dados capazes de afastar as suspeitas. Não foi o que aconteceu depois de sua fala.
Sobre a nomeação de parentes na Casa, por exemplo, o parlamentar disse que não conhece Rodrigo Cruz, que trabalhou por dois anos no Senado. "Rodrigo Cruz, também não sei quem é. Incluíram como se fosse nomeado por mim." Sarney mentiu nesse trecho do discurso. Cruz se casou no dia 10 de junho com a filha de Agaciel Maia, Mayanna, e Sarney foi padrinho de casamento do casal. Em uma foto, o parlamentar aparece, sorridente, ao lado dos dois no dia da cerimônia.
O senador também afirmou que seu neto José Adriano Sarney - alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por ser um dos operadores do esquema de crédito consignado na Casa - "nunca teve nenhuma relação com o Senado". Porém, o próprio neto do presidente da Casa admitiu, em uma reportagem publicada no dia 25 de junho pelo jornal O Estado de S. Paulo, que operava no Senado por meio de sua empresa, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda.
Sarney ainda acabou acusando a Polícia Federal de crime. Disse que uma gravação realizada na Operação Navalha em que seu nome é citado foi "fraudada". Lançada em 2007 para desmontar um esquema de irregularidades em licitações, a investigação envolveu o empresário Zuleido Veras, dono da Gautama e ligado à família Sarney. Numa gravação em que Zuleido teria dito que iria à casa de Sarney, a voz não seria do empresário, mas de outra pessoa, disse o peemedebista.
"Agora, quero mostrar aos senhores os métodos que foram adotados. Não encontrando nada contra mim, então, faltando, acho, notícia, querendo generalizar, os senhores vão ficar pasmados: fraudaram a fita que distribuíram aos jornais e incluíram o meu nome com a voz de uma outra pessoa", afirmou Sarney. No longo discurso, o presidente da Casa mostrou, durante 48 minutos, sua defesa para as denúncias contra ele no Conselho de Ética. Quatro delas já foram derrubadas.

Enquanto isso no Senado Federal...

...o Brasil assiste a um Conselho de Ética... – Ética?! Conselho?! – arquivar os processos de acusação contra o presidente daquela Casa de Lei... – Lei?! Casa?!... Só se for da mãe Joana!... Enquanto, pelo menos, for mantido na cabeceira da grande mesa esse senhor senador...

JUIZ INOCENTA EX-GOVERNADOR CAPIBERIBE

O abraço solidário do célebre compositor de "Construção" no casal Capiberibe

Está arquivado o Inquérito Policial 085/2005, que investigou a acusação de que o ex-governador João Capiberibe teria desviado R$ 365 milhões dos cofres públicos do Amapá em cheques administrativos. A decisão é do juiz substituto da 2ª Vara da Justiça Federal do Amapá José Renato Rodrigues.
“Nenhum centavo saiu das esferas do Executivo Estadual”, escreveu o juiz, na decisão.
Mentira – A acusação, levantada pelo PMDB de José Sarney e de Gilvam Borges, foi exaustivamente usada pelos adversários políticos de Capiberibe, levada ao Ministério Público e ao Senado Federal para prejudicar o desempenho eleitoral de João e Janete nas eleições de 2002.
Também serviu de motivo para outra denúncia mentirosa: a da compra de dois votos ao preço de R$ 26,00. Pela inicial do processo movido pelo PMDB do Amapá contra Capiberibe, o dinheiro desviado do governo do Amapá teria financiado a compra de votos.
Cassação – A defesa do casal apresentou a decisão do juiz da 2ª Vara ao ministro Joaquim Barbosa para apressar o julgamento dos embargos declaratórios ao processo que resultou na cassação do senador Capiberibe e da deputada Janete, em 2005.
A decisão do juiz federal reforça a certeza de que a cassação se originou numa mentira e serviu ao grupo político do senador Sarney.
Nos embargos, o casal questiona um recurso extraordinário acatado pelo TSE como ordinário, o fato de o voto do relator não ter sido lido até final e também a execução sumária da decisão, antes da publicação do acórdão e do julgamento dos embargos, restringindo a ampla defesa. Este tipo de execução sumária para tirar eleitos legítimos dos mandatos nunca tinha acontecido desde que a Constituição de 1988 foi promulgada.

PELA BANDA LARGA NO AMAPÁ


A deputada federal Janete Capiberibe quer apressar a instalação da Internet banda larga no Amapá.
Por isso, reuniu-se com o ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende, que mostrou à deputada as ações para aumentar a transferência de dados via satélite de 6 MB (Megabytes) para 10 MB e para transmitir dados via rádio digital da Ilha de Marajó à Macapá. Estas ações priorizam instituições de educação e administração pública, como a Federação das Micro e Pequenas Empresas do Amapá, a UNIFAP, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá, a UEAP e a Embrapa.
O acesso definitivo à internet banda larga só ocorrerá com o Linhão de Tucuruí, em 2012, mas o ministro diz que os prazos serão menores se houver empenho da prefeitura da capital e do governo do estado, além do incentivo às empresas locais que atuam no setor.

LEI AJUDA PREVENIR ESCALPELAMENTOS


Já está em vigor a Lei 11.970/2009, que torna obrigatório o uso de proteção no motor, eixo e partes móveis das embarcações. O objetivo é reduzir os acidentes com escalpelamentos. “Esta lei é importante para aumentarmos a segurança na navegação ribeirinha da Amazônia e do Brasil. Queremos ver erradicados os acidentes cujas vítimas carregam seqüelas para toda a vida”, afirma a deputada Janete Capiberibe (PSB), autora da Lei.
A Lei é resultado do projeto da deputada Janete Capiberibe apresentado na Câmara dos Deputados dia 6 de julho de 2007. Exatamente dois anos depois, dia 6 de julho de 2009, a Lei foi assinada pelo presidente da República em exercício, José Alencar, que saiu do hospital para assiná-la. No dia seguinte, foi publicada no Diário Oficial da União e já vale em todo o país.
“Essas mulheres estão de parabéns. A nova lei é uma conquista delas, que venceram o medo e o preconceito, foram exigir seus direitos e agora são cidadãs respeitadas pelo Brasil e pelos governos”, elogia a deputada socialista.

O PORTA VOZ

Mais uma edição de O Porta Voz – boletim do mandato da deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) – chega à nossa redação, trazendo em destaque as reportagens:

Lei da deputada Janete ajuda prevenir escalpelamento

Lei Capiberibe institui transparência nas contas públicas

Deputada registra recursos para o Bailique

Juiz da 4ª Vara inocenta ex-governador Capiberibe

Deputada Janete luta por instalação de banda larga no Amapá

Das reportagens, assinadas por Sizan Luis Esberci, escolhemos três que postamos a seguir.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

ANUNCIANTE DE VANGUARDA


A instituição de ensino cultural, dirigida pelo professor Jaime Silva, virá em reportagem especial na nova edição da revista Vanguarda Marketing, que estamos preparando para lançamento agora em agosto. A Escola de Música Acordes fica na avenida Padre Júlio Maria Lombaerd, 47-D, Centro. Telefones: (96) 3225-5359/ 9962-3413.

Brenda boa de música pop

A boa canja da bonita Adriana Raquel

Celine e Álvaro, na hora das canjas

A diretora do SESC AMAPÁ Heloiva Amoras e amigos

PROJETO BOTEQUIM


O Botequim de ontem revelou que Macapá já aderiu ao novo espaço SESC Centro – avenida Padre Júlio Maria Lombaerd com General Rondon. Na primeira terça-feira de agosto, depois de um período de férias com a casa sempre cheia, foi registrado bom público no show da Celine Guedes & Banda. Isso é bom sinal para o projeto ALDEIA – povos da floresta que vai acontecer ali na última semana do mês. Inclusive vamos estar lá no dia 27 (uma quinta-feira) com A TROPICÁLIA NA LINHA DO EQUADOR – um show-manifesto que pretendemos rememorar o movimento cultural que sacudiu o Brasil nos anos de 1967 e 1968, com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, Os Mutantes e tantos outros geniais artistas tropicalistas. Na próxima terça-feira (11), no Botequim, vamos dar uma ligeira canja (acústica) do que vai rolar no show do dia 27. A Celine, com seu carisma e voz afinadíssima, é uma das convidadas do show tropicalista. A seguir, algumas imagens da noite de ontem no SESC Centro.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A PELEJA DO DIABO


Vi o debate da sessão de ontem que pedia a renúncia de Sarney da presidência do Senado. Vi o “mastodôntico” senador alagoano Fernando Collor de Melo – ex-presidente da República execrado do poder pela opinião pública (lembra?) – defender a permanência de Sarney na presidência daquela Casa. Collor falava para o senador peemedebista Renan Calheiros, companheiro de partido na época - o PRN - que o levou à presidência do Brasil. Trabalharam juntinhos naquele governo corrupto e escandaloso. Do outro lado, o senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) e o paulistano Eduardo Suplicy (PT), homens íntegros e respeitados da política brasileira, pedindo a renúncia de Sarney. Pedro Simon, o mais contundente pela saída do presidente e moralização da Casa, atacado por Renan, retrucou... lembrando que o líder do PMDB no Senado abandonou o presidente "collorido" às vésperas de sua cassação. Visivelmente "com aquilo roxo" pra lá de inflamado pela citação, Collor tomou as dores testiculares de Renan, esbravejando que o senador gaúcho "digerisse" - e depois "engolisse" - as palavras tais pronunciadas na tribuna. O senador pedetista Cristovam Buarque (DF) – também famoso por sua integridade no parlamento – respondeu que Simon não tem absolutamente nada que engolir, mas ser exatamente o que sempre foi, ou seja, interlocutor do Brasil naquela Casa. Renan e Collor, dois ex-presidentes que perderam seus cargos por malversação do dinheiro público e pressões da opinião pública - portanto nada exemplares para nós brasileiros - aliados e defensores arraigados de José Sarney no Senado. Agora tente dormir com um barulho desses! A peleja, com transmissão ao vivo pela TV, lembrava a espetacular capa de disco do Zé Ramalho que tomei a liberdade de postar aí em cima.

domingo, 2 de agosto de 2009

OUÇA UM BOM CONSELHO...


AGÊNCIA ESTADO

Amigo de Sarney, ex-ministro no seu governo e companheiro de Academia Brasileira de Letras (ABL), o senador Marco Maciel (DEM-PE) será um dos integrantes do grupo escalado para convencer o presidente do Senado a abrir mão do cargo. Maciel terá a missão de explicar a Sarney o risco de constrangimento que sofrerá em plenário se insistir em permanecer no comando do Senado por mais tempo.
Maciel confirmou as conversas com seus colegas, mas evitou qualquer previsão. Na avaliação dele, o dia decisivo para a crise será a terça, quando a maioria dos parlamentares estará presente em Brasília. "Conversei com alguns senadores, mas tudo informalmente", contou. "Não falei com o presidente Sarney. Nada se materializou ainda. Não tenho nada a declarar, é preciso sentir o clima até terça."
Senadores contrários a Sarney articulam um boicote nas sessões em plenário caso ele fique na presidência e o Conselho arquive as cinco representações e seis denúncias protocoladas - referentes a nepotismo, envolvimento em atos secretos e desvio de recursos pela Fundação José Sarney. "Não terá como fazer votação. O presidente Sarney vai perceber isso", disse Cristovam Buarque (PDT-DF).
"Não é golpe. É um direito nosso de não ir às sessões. Um desconhecimento à autoridade do senador. Ele não tem mais condições de continuar." Sarney retornou ontem a Brasília, depois de passar mais de uma semana em São Paulo, onde sua mulher fez uma cirurgia. Ele pretende comandar hoje a primeira sessão de retorno aos trabalhos, mas deve retornar a São Paulo até terça para acompanhar a mulher.

SE SARNEY RESISTIR A RENÚNCIA...


AGÊNCIA ESTADO

Na volta do recesso parlamentar, a partir desta segunda-feira, os senadores vão pressionar para que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), deixe o cargo até quarta-feira pela manhã, antes da reunião do Conselho de Ética que deverá analisar onze ações contra o parlamentar. Caso Sarney resista e tente continuar no cargo, entrará em cena um movimento de boicote nas sessões presididas por ele.

ESTÁ CHEGANDO A HORA

Enquanto a imprensa do Amapá (com pouquíssimas exceções) ignora a situação insustentável do senador José Sarney na presidência do Senado, os principais veículos de imprensa do país só falam nos atos secretos dele e na renúncia que virá, segundo a AGÊNCIA ESTADO, na quarta-feira. Depois, segundo o senador Cristovam Buarque (PDT/DF), a oposição deve iniciar o processo de cassação do senador maranhense por quebra de decoro naquela Casa de Lei. Isso significa que no Amapá muitas viúvas do senador perecerão. As reportagens - diga-se de passagem - fresquinhas, vêm a seguir.

SARNEY DA DITADURA


Chico Bruno

A decisão judicial que amordaçou o jornal O Estado de S.Paulo de publicar reportagens sobre a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney é novidade para o país, mas não é para o Amapá, onde na campanha reeleitoral de Sarney em 2006 o lobo travestido em pele de cordeiro conseguiu calar perto de uma dezena de jornalistas e veículos de comunicação. O país está conhecendo agora a verdadeira face de Sarney. Face que já conhecíamos há muito tempo. Agora o país se curva à realidade vivida no Amapá. O homem da transição democrática agora comete um ato da ditadura. Ele perdeu seu último argumento. Isso é terrível. O presidente Sarney tem de renunciar, disse Pedro Simon (PMDB/RS). Que me desculpe Simon. Mas, é por causa dessa suposta afirmação de que Sarney foi “o homem da transição democrática” que ele fez e aconteceu, misturando em tempos de democracia o público e o privado, coisa que ele não teve a coragem de fazer durante o regime autoritário, do qual ele é o último representante. Como fez no Amapá em 2006, Sarney usou um camarada implantado na Corte Judiciária para amordaçar o jornal paulista. Teria sido bom para a democracia, se o senador petista Eduardo Suplicy (SP), tivesse se solidarizado em 2006 com os censurados da época. Talvez se ele tivesse dito naquela época o que diz hoje as coisas não tivessem chegado aonde chegaram. A Constituição assegura a liberdade de imprensa, sobretudo àqueles diálogos gravados com autorização judicial. É um direito de a população ser informada pela imprensa sobre diálogos que ferem a ética. Como os companheiros jornalistas censurados em 2006 por Sarney gostariam de ter ouvido o que estão dizendo agora uma penca de políticos. Não é de hoje que Sarney lança mão de expedientes promíscuos utilizando os serviços de afilhados do Judiciário e de servidores públicos beneficiados por ele. Sempre misturando o público com o privado. Foi assim que ele cassou os mandatos do senador João Capiberibe e do governador Jackson Lago. Aliás, os dois devem estar saboreando as agruras de Sarney. Devem estar convencidos que os ditos populares “quem com ferro fere com ferro será ferido” e “ri por último quem ri melhor” são expressões que não podem ser desprezadas. Com certeza a censura imposta ao Estadão deve ser revertida, principalmente pela relação de proximidade entre o desembargador e Sarney, um acinte a democracia brasileira estampado no flagrante de uma festa de casamento. Infelizmente, os jornalistas do Amapá condenados ao pagamento de multas astronômicas por decisões judiciais duvidosas não terão revertidas às sentenças. A última chance dos jornalistas do Amapá foi engavetada nos tribunais federais por uma chicana jurídica. É a velha história. O que acontece nos confins do país não tem a mesma visibilidade do que ocorre nos grandes centros nacionais. Até nisso esse país é desigual.

LULA EMITE SINAIS DE CANSAÇO DO FARDO

JUIZ CENSOR É PRÓXIMO DE SARNEY E AGACIEL


Leandro Cólon e Rodrigo Rangel, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Ex-consultor jurídico do Senado, o desembargador Dácio Vieira, que concedeu a liminar a favor de Fernando Sarney, é do convívio social da família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Foi um dos convidados presentes ao luxuoso casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, em 10 de junho, em Brasília (na foto: desembargador Dácio - o primeiro da esquerda -, e ao lado de Sarney, Agaciel e Renan). Na mesma data, o Estado revelou a existência de atos secretos na Casa.
O presidente José Sarney (PMDB-AP) foi padrinho do casamento. Ele, o desembargador e Agaciel aparecem juntos numa foto na festa de Mayanna publicada em uma coluna social do Jornal de Brasília em 13 de junho. As mulheres de Agaciel, Sânzia Maia, e de Dácio Vieira, Ângela, também estão na foto.
Em 12 de fevereiro, Sarney já havia comparecido à posse de Dácio Vieira na presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal. Antes de se tornar magistrado, Dácio Vieira fez carreira no Senado.
De acordo com seu currículo, no site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, ele foi designado em 1986, na condição de advogado, para ocupar o cargo de titular da Assessoria Jurídica do Centro Gráfico do Senado. Depois, foi promovido para consultor jurídico da Casa.
O currículo diz que, por designação especial, ele esteve à disposição da presidência da Casa, com atuação na consultoria-geral. Sua atuação: "Encaminho de informações e razões de defesa em ações judiciais de interesse da instituição, havendo registro, à época, deste proceder, por parte da presidência da Casa, senador Mauro Benevides (Biênio de 1990/1991)."
Natural da cidade mineira de Araguari, ele tomou posse como desembargador do TJ-DF em maio de 1994. Entrou em vaga do quinto constitucional, como representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Integrou duas vezes a lista tríplice de candidatos a vaga de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

JUSTIÇA PROIBE INFORMAÇÕES SOBRE SARNEY

A censura foi aplicada ao ESTADÃO na quinta-feira

BRASÍLIA - O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o jornal sob censura, foi apresentado pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - que está no centro de uma crise política no Congresso.